Ela era puro transbordar
Encontrasse a vida pelas calçadas
Eclipsava meus nervos
Esfarelava o fumo e aquele aroma
De canelado violentava minhas narinas
Na mesa da cozinha de cimento queimado
Ela era laranjeira transmutada em bolo
Eu já não questionava mais seu lilalês
A lia em braile, destatiando
Fosse quando era, me absorvia os abismos
Mesmo tão costumeiros que são
E daí entrávamos nas igrejas
Só para vermos a arquitetura afogada
Nos lagos de cera
E quando ouvíamos o jazz de olhos de petrolio
As paredes se afastassem e aproximassem
Conforme o ritmo de nossos peitos
Apertados rente à cerca de cravos
Enquanto a estrada expressaria a lentidão dos salivares
Mas só amanhã existirei
Só nas borras do café bebericado
Da órbita de estrelas já apagadas