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21 maio, 2013

Banzai!!

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Na batida do maracatu
As carcaças relutam no ritmo
Fúnebre de suas mortes

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17 maio, 2013

Raspas da ex.fância I

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a gente ficasse de peraltagem o dia a rolo era trepagem em árvore pra comer ameixa amarelenta lambançando a mão com sangue de fruta e farpa de tronco corrida no meio do matal cantiga de roda pulagem de corda jogação de peão as coisas ainda não tinham nomes eram coisas inomadas e desformadas a gente escolhesse as formas e nomes conforme cabiam na nossa vontade capim-limão podia ter forma de charco e nome de papagaio como não tinhamos instrumentos musicais tocavamos flauta-rouxinol gaita-giz-de-cera sapo-atabaque e outra inventices quando chovia pitanga a gente entortava a visão gotejada da vida e ficasse olhando os infiltamentos da parede descasquenta e o musgamento do chão de cimento empedrado procurando formas de rostos ou de bestas chegariam lagartixas por perto e a gente chamasse todas de papel e o dia engatinha assim dilacerando a infância dos domingos entortados nos farelosos bolos de fubá até o dia descacarejar

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15 maio, 2013

Etimologia I: Cœur

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ertarçãrcortarpo|||||||||||||||||||||||||||||||||||||rrçãocœurompe
ercortarcœurpocorrrrmp|||||||||||||||||||||||corrompecoraçãrtarcœur
rçopetcortarcorpocœurcœur|||||||||||||||||||rtaraçãompercorpoœurptãm
ettrpoçãorpocortacoraçãocœur|||||||||||||||corrompecorpocœuraçãotarrpe
ãorprcortarcorrompetaõttarcœupoc|||||orrtartmpaçãocœurcoraççãmpercrt
oraçãocortarcœurrerompercorpcœuraçãmpeortarcorrompercoraçãtarcorromp
mcœurcoraçãocorrompecorpcortaCOEURrtacorpocorrompeecoraçãoecœurtr
cortarmpecorcœurporaçãortarcorperccœurtarpompeçãoratarcoperromrtarção
comptararaçãompertarcœurpoporaçãotatatarããocœurcortarcoraçãocmperr
çãotarcocœurromptarcorpotarçmperãotcortaraçãocoraçãmpercorromtar
cœurtarcœuraçãocœurrompercœurpocœuraçãocortomperaçãotar
cortcoracorrcorparçãoomperocortporrompaçãotartorpecoe
cœurtarparaçempocorpocococœurrompoaçãmtoœmt 
cœmptarpoçãomperacocœurtempotarmãotompe
compremptaçercœurtortaçãoterpocoram
crçcrpcrrmpcrtoaãoooooeoacœur
rrrrrrrccccrmmmmptãocœur
corrompecoração
cortarcorpo
cœur
œ

______
Palavras usadas: cœur, coração, corrompe, cortar, corpo 
  

08 maio, 2013

Poeira Cósmica

Ela era puro transbordar
Encontrasse a vida pelas calçadas
Eclipsava meus nervos
Esfarelava o fumo e aquele aroma
De canelado violentava minhas narinas
Na mesa da cozinha de cimento queimado
Ela era laranjeira transmutada em bolo
Eu já não questionava mais seu lilalês
A lia em braile, destatiando
Fosse quando era, me absorvia os abismos
Mesmo tão costumeiros que são
E daí entrávamos nas igrejas
Só para vermos a arquitetura afogada
Nos lagos de cera
E quando ouvíamos o jazz de olhos de petrolio
As paredes se afastassem e aproximassem
Conforme o ritmo de nossos peitos
Apertados rente à cerca de cravos
Enquanto a estrada expressaria a lentidão dos salivares
Mas só amanhã existirei
Só nas borras do café bebericado
Da órbita de estrelas já apagadas

06 maio, 2013

Rouxinol

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Acordava em minha cama
Com o sol disrefletido
Na poeira que pairava no ar

A névoa saindo do café
De três anteontem
No peitoril da janela

Recordo as cinzas da noite
Esconderijo, sorriso trêmulo
Curvas imperfeitamente perfeitas

Pelo espelho do salgueiro seco
Um rouxinol líquido com sua clave-de-pena
Trilhasonorando o dançar do vento

Você desfacela minha boca
Com um beijo estéril
E me desperta pra nós dois
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14 abril, 2013

A Rede

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Passei horas vendo o dia se desenhar
Do balanço da minha rede
Esfumacei meu palheiro
Esvaziei minha cachaça
Comi todo o torresmo
Aí o dia tinha peixes e tinha vagalumes
Aí as formigas trilhavam por entre os pelos da minha perna
E eu, do balanço da minha rede, deixei
O dia se esboçar com o sol na minha cara
E o silêncio mergulha na nossa mente
Nos vira do avesso
Porque os homens nada sabem
De cores
De alma
De poesia
A não ser quando deitados
No balanço da rede
Esfumaçando seus palheiros
Esvaziando suas cachaças
E comendo seus torresmos

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10 abril, 2013

Abacate

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Tudo que ela fosse, era margem de abacate
Ela era mudadora de coisas em soneios
As pessoas a diziam cheia de despropósitos
"Abacate não tem margem" - imagina só!
E ela me afrodizia os encantos dos espinhos

Mas porque falava as vozes do lilás
Era complicado entendesse por quem não fala lilalês
A vida é assim mesmo
É difícil cambalaiar as pessoas
Quando o vento roga suas crinas de veludo

De vez em quem ela era lambada de vazios
Porque os vazios são infinitudes de alicerce musical
E por tão clara que ela fosse, me noturnava
Agora eu já nem soube,
O meu bom senso não cabe em sua poesia

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